Aos Livros

Obrigado aos amigos que trago comigo,
que me levam a lugares onde nunca pude estar.

Obrigado aos amigos que me animam depois do pranto,
de páginas amareladas que me fazem profundo sonhar.

Obrigado aos amigos livros, aos quais sempre vou amar.

Ensaio sobre a tortura

De repente abro os olhos e em meio a esta escuridão não mais sei quem sou, onde estou?
Disformes sombras me rodeiam por todos os lados, sombras de sentidos infundados, emoções, destinos mal formados, onde estou, para onde fui levado?
Minha alma é tragada por torrentes incontáveis, olhos atentos, atentos mas cansados.
Acorrentado sobre o chão partido dos prados da incerteza, a mercê de predadores de corpos putrefatos, bocas malditas, bifurcadas, palpitantes, vangloriando a queda de outro abatido. Loucos, esbanjando insanidade, almas definhantes.
O silêncio dilacera minha sede por respostas, afundo inconsciente no poço do esquecimento, como criança indefesa emparedada, onde no peito, rasgada a carne padece, meio a destroços e fuligem, deixou de palpitar o que há muito já é rocha inquebrável. 

(Matheus P. F. - Devaneios)

Sombras na neve

O mundo é movido por dúvidas, dúvidas que geram outras dúvidas infinitas e insolúveis, assim segue a humanidade caminhando tênue entre o desconhecido e nossas ínfimas “certezas”.

 Muitas coisas podem ser entendidas e subentendidas como frutos de um subconsciente insano desprovido de qualquer razão, inaudíveis sensações das quais se faz a essência do “eu” humano, mesmo sem uma explicação concreta.

 O medo inexplicável da criança ao ver-se “sozinha” no escuro, por exemplo, é apenas estado ambiente, certo? Um temor assim pode parecer particularmente, um devaneio tolo e infantil, a princípio, mas, o que despertaria tal sentimento?

 Desde pequenos somos ensinados a tomar muitas mentiras por verdades e ter algumas verdades por mentiras, condenados a viver um dia após o outro, acorrentados, embaraçados em teias de ideais prontos para serem aceitos sem o mínimo julgo, tomando valores de uma sociedade corrompida, espíritos apodrecidos, cabeças vazias cheias de verdades absolutas.

 Olhares distorcidos, pontos de vista equivocados, sábios calados pela ignorância dos povos, juízes fugindo do julgo.

 Caminhamos dia após dia, caindo, sorrindo fingidos balbuciando ódio e insensatez, frutos de um sistema falho onde a lei é não pensar.

 Os poucos que abrem os olhos para algumas verdades são tidos como loucos, loucos por serem sensíveis ao que realmente acontece, outros apenas por terem definhado em sua própria pequenez.

  Muitos tendo pouco, poucos tendo muito, injustiça cega, mas que mantém bem os poucos que agrega.

 Outorgados sonhos perdidos no inconsciente, navegantes almas nos mares do inteligível, buscando fuga, fuga de uma realidade ensandecida, fuga para os confins de um universo interno, domínios salientes, indivíduos impotentes, o poder do raciocínio carregado de infelicidade, desespero pessoal, isolamento latente.

 Nada simplesmente existe sem propósito, propósitos muitas vezes não cumpridos, esquecidos, esquecimento decorrente da melancólica repetição contínua.

Existindo, é assim que muitos passam seus dias, a insignificância sitia, a vida passa sempre na mesma redoma do predestino imutável, constante.

 Veja! Venta lá fora! Vento que sopra violento, passa e vai-se embora, vento que ouve minha prece levando-a para longe, talvez por condolência quem sabe? Nem tudo está perdido.

Ah! Sublime esperança dos que vivem em meio a esta loucura, prantos e amarguras, angústias, tristezas e desafetos, destes muitos propriamente taxados de loucos, genialidade sobreposta tida por insana, outros loucos apenas por tentar entender, entender a vida, o sentido, o início e o fim, o bom, o ruim, lutando, aprendendo, vivendo, morrendo…

(Matheus P. F - Devaneios.)

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