O mundo é movido por dúvidas, dúvidas que geram outras dúvidas infinitas e insolúveis, assim segue a humanidade caminhando tênue entre o desconhecido e nossas ínfimas “certezas”.
Muitas coisas podem ser entendidas e subentendidas como frutos de um subconsciente insano desprovido de qualquer razão, inaudíveis sensações das quais se faz a essência do “eu” humano, mesmo sem uma explicação concreta.
O medo inexplicável da criança ao ver-se “sozinha” no escuro, por exemplo, é apenas estado ambiente, certo? Um temor assim pode parecer particularmente, um devaneio tolo e infantil, a princípio, mas, o que despertaria tal sentimento?
Desde pequenos somos ensinados a tomar muitas mentiras por verdades e ter algumas verdades por mentiras, condenados a viver um dia após o outro, acorrentados, embaraçados em teias de ideais prontos para serem aceitos sem o mínimo julgo, tomando valores de uma sociedade corrompida, espíritos apodrecidos, cabeças vazias cheias de verdades absolutas.
Olhares distorcidos, pontos de vista equivocados, sábios calados pela ignorância dos povos, juízes fugindo do julgo.
Caminhamos dia após dia, caindo, sorrindo fingidos balbuciando ódio e insensatez, frutos de um sistema falho onde a lei é não pensar.
Os poucos que abrem os olhos para algumas verdades são tidos como loucos, loucos por serem sensíveis ao que realmente acontece, outros apenas por terem definhado em sua própria pequenez.
Muitos tendo pouco, poucos tendo muito, injustiça cega, mas que mantém bem os poucos que agrega.
Outorgados sonhos perdidos no inconsciente, navegantes almas nos mares do inteligível, buscando fuga, fuga de uma realidade ensandecida, fuga para os confins de um universo interno, domínios salientes, indivíduos impotentes, o poder do raciocínio carregado de infelicidade, desespero pessoal, isolamento latente.
Nada simplesmente existe sem propósito, propósitos muitas vezes não cumpridos, esquecidos, esquecimento decorrente da melancólica repetição contínua.
Existindo, é assim que muitos passam seus dias, a insignificância sitia, a vida passa sempre na mesma redoma do predestino imutável, constante.
Veja! Venta lá fora! Vento que sopra violento, passa e vai-se embora, vento que ouve minha prece levando-a para longe, talvez por condolência quem sabe? Nem tudo está perdido.
Ah! Sublime esperança dos que vivem em meio a esta loucura, prantos e amarguras, angústias, tristezas e desafetos, destes muitos propriamente taxados de loucos, genialidade sobreposta tida por insana, outros loucos apenas por tentar entender, entender a vida, o sentido, o início e o fim, o bom, o ruim, lutando, aprendendo, vivendo, morrendo…
(Matheus P. F - Devaneios.)